O "On The Road" estreia oficialmente com a resenha completa sobre o show do Limp Bizkit no Rio de Janeiro, o primeiro da banda em terra-brasilis.

Em 2000, o Limp Bizkit vivia o auge da carreira. O CD “Chocolate Starfish And The Hot Dog Flavored Water” catapultou a banda para o estrelato a cargo de hits como “Rollin’”, “My Way” e “Take A Look Around”. Na primeira semana de vendas, o álbum vendeu mais de 1 milhão de cópias e passou a ser o álbum de rock de vendas mais rápidas da Billboard, quebrando a marca anterior, que pertencia ao Pearl Jam.
Onze anos se passaram e a carreira de Fred Durst e companhia atravessou altos e baixos. Os tempos são outros, mas a banda comemorou a volta do guitarrista Wes Borland e resolveu gravar um novo álbum. “Gold Cobra” foi lançado em junho. Foi recebido com boas críticas, mas o desempenho comercial nem de longe lembra os velhos tempos. Entrou na modesta 16ª posição, com ‘míseras’ 27 mil cópias. A realidade atual mostra que os shows são a salvação de uma banda. Então, com uma década de atraso, o Limp Bizkit aportou no Brasil.

Sam Rivers e Luís Baltazar
A Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, foi o cenário escolhido para a primeira apresentação da banda em solo brasileiro. Antes da apresentação, alguns (poucos) fãs sortudos puderam assistir a passagem de som da banda. Entre eles, Luís Baltazar, vencedor carioca do Meet & Greet Limp Bizkit. Fred Durst e o baixista Sam Rivers distribuíram autógrafos, posaram para fotos e conversaram por cerca de 20 minutos com os fãs. Foram dois "soundchecks", onde o próprio Durst ajudou a ajeitar o seu retorno, agachando no chão e puxando fios. Imagem surreal ver o próprio artista metendo a mão na massa. No ensaio, a banda deu um showzinho particular para a plateia exclusiva. Entre eles, "Shotgun" e "Walking Away" (que não entraram no setlist), "Bring It Back", "My Way", "My Generation" e um trecho de "Take A Look Around".
Mas foi durante o início de "Nookie" que aconteceu um grande incidente. A banda seguia tocando no momento que um ‘cameraman' ajustava seu equipamento. A luz vermelha de gravação do aparelho estava acesa e num ataque digno de Axl Rose, Fred Durst mandou parar o ensaio. Começou a esbravejar com o profissional, que parecia não entender o que ele dizia de cima do palco. Até que Durst resolveu pular do palco e foi em direção ao câmera. Para quem viu a cena, imaginou que aconteceria o pior, já que mais três pessoas do staff da banda foram atrás do cantor, que aparentava estar bastante irritado.
Durst exigiu que o profissional lhe desse o cartão de memória, ainda que nada tivesse sido gravado. A confusão se estendeu por cerca de dez minutos, até que tudo fosse esclarecido. Por muito pouco, o pior não aconteceu. Todos que estavam dentro da Fundição Progresso ficaram atônitos com o chilique de Fred Durst. Desnecessário, diga-se de passagem.
Uma apresentação que demorou a esquentar
Apenas metade dos ingressos postos à venda foram vendidos. Cerca de 2 mil pessoas conferiram uma performance que alternou momentos de esporro sonoro e outros de alguma monotonia. O público respondeu calorosamente aos hits, generosos no setlist. Por sinal, o Limp Bizkit não seguiu o roteiro previsto, alterando a ordem de algumas músicas e atendendo alguns pedidos da plateia, como “Pollution”.

Setlist que a banda não seguiu conforme o previsto
A apresentação começou com “Hot Dog”, “Why Try” (primeira mudança de ordem da noite) e “Bring It Back”. A banda vinha tocando com empolgação e Fred Durst mostrava-se animado com os fãs brasileiros, saudando o Rio de Janeiro a todo instante. As canções de “Gold Cobra” foram recebidas com pouca empolgação. Em alguns momentos, o grupo enfrentou problemas de som, como em “My Way”, causando desconforto em Durst, que se mostrou contrariado com a falha. Entre uma música e outra, DJ Lethal soltava algum remix, como se a banda precisasse de alguns segundos para retomar o fôlego.
Os primeiros 50 minutos de show foram apenas medianos. A coisa só começou a esquentar na segunda metade, quando o grupo enfileirou uma sequência matadora de hits. Após os insistentes pedidos por “Pollution”, Fred Durst e o guitarrista Wes Borland resolveram “jogar para a galera” e combinavam entre si cada música a ser tocada dali pra frente. Então vieram “Break Stuff”, “Boiler”, “Livin’ It Up”, “Eat You Alive” e “Nookie”. Pronto! O jogo estava ganho. Mas ainda faltavam mais alguns golzinhos para o Limp Bizkit sair com uma goleada completa.
No intervalo do bis, o tema de “Os Caça-Fantasmas” foi tocado na íntegra e cantado até o fim pela plateia. No bis, “Behind Blue Eyes”, que reservou o melhor momento da noite. Uma grande caixa contendo muitas latinhas de cerveja foi posto no palco. Fred Durst resolveu aliviar a sede da galera e arremessou diversas latinhas. Até que resolveu “brindar” os fãs da grade central, despejando toda a água e gelo do reserve em cima dos “sortudos”. Não importava. À essa altura, o show havia esquentado.
Em “Take A Look Around”, o bicho pegou pra valer, com rodinhas brotando até a pista premium – lotada – e “body surfin’” rolando solto no meio da multidão. Antes de começar “Faith”, um momento cômico. DJ Lethal solta uma base de um funk carioca e Durst faz vários gestos, simulando uma “va-djhai-na” e logo após um “little pe-nis”. O público cai na gargalhada e imita cada gesto que o vocalista faz. Sem contar os “fucks”, a palavra de ordem da noite. No encerramento, uma explosiva “Rollin’” para concluir os trabalhos de um show que começou morno e engrenou apenas na reta final.
O Limp Bizkit toca em São Paulo nesta terça, dia 26/07.
- Palheta do guitarrista Wes Borland pode ser sua












