Depois de passar por Chile e Argentina, é a vez dos brasileiros matarem a saudade de Morrissey. A lenda do rock britânico esteve no país pela última vez há 12 anos. Mais generoso que na passagem anterior, o cantor brindou o público com seis canções de seu ex-grupo, The Smiths (contra quatro músicas em 2000). Se por um lado a boa vontade do cantor influenciou diretamente no setlist, as opções de alimentação da casa de shows foi um item que ficou a desejar. No contrato de Moz há uma cláusula onde fica expressamente proibida a venda de alimentos de origem animal. Os mais famintos tiveram de se contentar com sanduíches de ricota ou os famosos pães de queijo. Ainda antes de ver o ídolo no palco, tiveram de "aturar" 35 minutos de apresentação da jovem Kristeen Young, que não disse a que veio. Mas vamos pular para a melhor parte da noite.
Apesar de britânico, Moz deu início ao show com dez minutos de atraso. Ao som de "First Of The Gang To Die" e "You Have Killed Me", o cantor já tinha o público nas mãos, que cantava fielmente palavra por palavra. Logo de cara, cumprimentou a plateia com um "Olá, BH", além de soltar em bom português "Vocês me fazem me sentir muito popular".
Mas o show engrenou a partir da sexta canção. Depois de ficar de fora de três shows consecutivos, "Still Ill" foi a primeira dos Smiths a ser apresentada e literalmente incendiou a plateia do Credicard Hall. Mantendo a temperatura quente do show, na sequência teve "Everyday Is Like Sunday", um dos grandes sucessos de sua carreira solo. Ao final da canção deitou-se no palco parecendo estar em êxtase, enquanto o público gritava "Brasil, Brasil".
A metade do show reservou momentos mais climáticos até culminar na segunda canção dos Smiths a ser apresentada, "Meat Is Murder", que foi precedida de um vídeo que condenava a matança de animais. Para quem não sabe, Morrissey é um dos vegetarianos mais ferrenhos no mundo (explicada a razão da comida vegetariana em seus shows). Em seguida, apresentou a banda, que curiosamente, vestia camisas vermelhas com a inscrição "Assad is shit" ("Assad é um merda"). A "singela homenagem" foi para o presidente sírio Bashar Al Assad, criticado por um regime ditatorial, opressor e violento. E assim terminou a parte "política" do show.
A reta final reservou os melhores momentos quando cantor e plateia já estavam mais íntimos do que nunca. O famoso 'strip' em "Let Me Kiss You" esteve lá, outras canções dos Smiths também – destaque para "There Is A Light That Never Goes Out", cantada a plenos pulmões pelos fãs (veja o vídeo abaixo). E encerrando o set, o megahit "How Soon Is Now?". E ainda teve tempo para mais uma canção no bis, a meia-boca "One Day Goodbye Will Be Farewell". Para os mineiros, uma noite inesquecível – lembrando que Belo Horizonte entrou no roteiro da turnê de última hora por conta de um problema de logística em Porto Alegre. Na próxima sexta (9) é a vez dos cariocas e no domingo (11) os paulistas verão o último show da etapa brasileira da turnê de Morrissey.
Setlist – Belo Horizonte:
First Of The Gang To Die
You Have Killed Me
Black Cloud
When Last I Spoke To Carol
Alma Matters
Still Ill (The Smiths)
Everyday Is Like Sunday
Speedway
You're The One For Me, Fatty
I Will See You In Far-Off Places
Meat Is Murder (The Smiths)
Ouija Board, Ouija Board
I Know It's Over (The Smiths)
Let Me Kiss You
There Is A Light That Never Goes Out (The Smiths)
I'm Throwing My Arms Around Paris
Please, Please, Please Let Me Get What I Want (The Smiths)
How Soon Is Now? (The Smiths)
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BIS:
One Day Goodbye Will Be Farewell


