No segundo dia do Lollapalooza Brasil, o dia menos apertado do evento, rolou muita coisa boa e algumas surpresas. Com menos euforia por parte dos fãs que esperavam o Foo Fighters há mais de 10 anos no Brasil, o domingo foi mais tranquilo e mostrou que o festival no Jockey Club, em São Paulo, comportar melhor, com mais comodidade, 60 mil pessoas, ao invés da 75 do dia anterior.
Entre as principais atrações, um dos destaques ficou, para o bem ou para o mal, com a apresentação morna e arrastada do MGMT no palco Butantã. A dupla, uma das mais esperadas do evento, tocou para um público que parecia ter muitas expectativas do show e se animava mais com os raios proporcionados pelo mau tempo do que através da música tocada. Até no hit "Electric Feel", um dos primeiros sucessos da banda, a empolgação era abafada pelo som baixo e performance apática. Teve a nova "Alien Days", "Time to Pretend", mas o ponto alto foi "Kids", com direito ao videoclipe de "Single Ladies" da cantora Beyoncé no telão em versão psicodélica (a moça já usou uma música da banda em um de seus DVDs).
Os novatos do Foster The People com certeza não eram uma das atrações mais esperadas do Lollapalooza Brasil, exceto pelos (muitos) fãs, é claro, no entanto, surpreenderam um público que em grande parte aguardava o Arctic Monkeys no palco Cidade Jardim, com um show intenso e animado. Dono de uma presença de palco que parece bem natural, o vocalista Mark Foster dançou no palco, tocou percussão, sintetizador, teclado e guitarra, além de elogiar o público brasileiro, alegando que a fama de "melhor plateia do mundo" não é atoa. A banda tocou os singles "Don't Stop", "Call It What You Want", "Houdini", "Helena Beat", e óbvio, o mega hit "Pumped Up Kicks", todas do álbum de estreia da banda, "Torches". O mais impressionante é ver que uma banda que há menos de um ano era pouco comentada no Brasil, e ainda hoje não ganhou as grandes rádios pop nacionais, e mesmo assim já possuir uma grande quantidade de fãs no país.
O Jane's Addiction, banda do todo poderoso Perry Farrell – o idealizador do Lollapalooza – e do guitarrista Dave Navarro, se esforçou na produção do show com direito a estátuas de duas mulheres, dançarinas, um robô e cenário lúgubre. O setlist com 12 músicas incluía as clássicas "Mountain Song", "Jane Says" e "Been Caught Steeling", além de "Just Because", que fez um moderado sucesso no início da década passada, e as novas 'Underground" e "Twisted Tales". No começo da apresentação, o público ainda se mostrou disponível a dar atenção à banda, que nunca fez muito sucesso no Brasil, porém, talvez por diversos motivos como apresentação do DJ hype Skrillex, que ainda rolava na tenda ao lado, e os aguardados shows do Racionais MC's e Arctic Monkeys, que começariam logo em seguida, o show foi se esvaziando ao longo que o carisma de Perry Farrell era utilizado quase em vão.
A última grande atração da noite, os britânicos do Arctic Monkeys, literalmente estavam dispostos a encerrar o festival com chave de ouro. Com quatro álbuns de estúdio na bagagem (apenas um desses recebido com críticas pouco positivas) e alguns anos de estrada, a banda de Sheffield, Inglaterra, fez por merecer o título de headliner da primeira edição do Lollapalooza no Brasil. Quem assistiu os rapazes no falecido Tim Festival, em 2007, ficou espantado com a mudança do modus operandi do vocalista Alex Turner no palco. No passado, introspectivo, Alex pouco se mexia tocando os riffs pesados de hits como "Brianstorm", hoje, galgando os passos de grandes performers do rock mundial, o rapaz ostenta poses à la James Dean com sua guitarra. Começando com a porrada sonora "Don't Sit Down 'Cause I've Moved Your Chair" e dando destaque para os álbuns "Favourite Worst Nightmare" e "Suck It And See", os macacos do ártico tocaram as novas "Evil Twin" e "R U Mine", além das já clássicas "I Bet You Look Good on the Dancefloor" e "The View From the Afternoon". Os fãs, notavelmente, se empolgaram mais com as faixas dos dois primeiro discos, mas não deixaram de aplaudir e cantar com todo ar as mais novas. O bis ficou por conta de "When the Sun Goes Down", seguido do maior hit da banda aqui "Fluorescent Adolescent" e se despedindo com a cultuada "505". O setlist só poderia ter sido mais dinâmico (como foi no Lollapalooza Chicago, em 2011) e menos burocrático.
Assim, o Lollapalooza Brasil se firma como mais uma festival de sucesso no país. E promete novas edições com a mesma vertente roqueira que vestiu nessa edição, nas vizinhas no Chile, e nos Estados Unidos, desde os anos 1990.


