Há dezesseis anos, o Kid Abelha pisava pela primeira vez no palco do antigo Metropolitan (RJ) durante a turnê do disco "Meu Mundo Gira em Torno de Você". Desde então, não teve uma vez em que o trio carioca não se apresentasse na casa de shows (que hoje se chama Citibank Hall) e que não estivesse com lotação máxima. Assim foi a gravação do DVD comemorativo de 30 anos de carreira na noite deste sábado (direção de Jodele Larcher e produção musical de Nilo Romero), que contou com uma respeitosa coleção de hits e um grande grupo de fãs vindos de diversas partes do país.
Antes da apresentação foi exibido nos telões alguns vídeos feitos pelos fãs, onde cada um contava suas experiências com as músicas do grupo. Alguns deles estavam na plateia e eram facilmente reconhecidos por uns e outros. Com pouco mais de 40 minutos de atraso, as luzes da casa se apagam. Enquanto Paula Toller, Bruno Fortunato e George Israel já estão prontos para subir ao palco, um vídeo-retrospectiva rola no imenso telão de led, com trechos de sucessos que não estariam no repertório. Eis que o trio surge e já mandam "No Seu Lugar" e "Nada Tanto Assim", duas pedradas cantadas a plenos pulmões pelo público. Após saudar os cariocas, a banda toca a nova "Caso de Verão" (que seria repetida na parte final do show).
Por se tratar de uma gravação oficial, alguns intervalos maiores que os habituais aconteceram entre uma música e outra. Um retoque na maquiagem, pausa para secar o suor, e na parte inicial ainda teve preciosidades como "Educação Sentimental II", "Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda" e "Dizer Não É Dizer Sim", precedida de um discurso contra a homofobia e a corrupção. Mais uma pausa, que George Israel usa o sax para tocar o famoso solo de "Ska", hit dos Paralamas do Sucesso (é dele o sax da gravação original, de 1984). Por sinal, o vocalista e guitarrista Herbert Vianna compareceu ao show. Depois o público puxa o côro de "No Meio da Rua", que Bruno Fortunato acompanha na guitarra e Paula Toller canta um pequeno trecho.
"Todo Meu Ouro" deu início à parte mais acústica do set. Uma das favoritas dos fãs, "Amanhã É 23" voltou a ser executada com seu arranjo original (sax marcante de George Israel e brilhante solo de Bruno Fortunato), precedida de "Em 92" e da belíssima "Grand' Hotel", com projeções do clipe original no telão. A banda resgatou do fundo do baú "Garotos", do álbum "Educação Sentimental" (1985), que voltou repaginada em arranjo jazzy e com citação de "Louras Geladas" do RPM. E na pausa, a plateia puxa "Os Outros" (outra canção do segundo disco), prontamente acompanhada à capela por Paula.
Em ótima forma aos 49 anos, a vocalista interagiu mais com o público na parte final do primeiro set, quando teve as mais recentes "Nada Sei" e "Por Que Eu Não Desisto de Você" ao lado das clássicas "Seu Espião", "Eu Tive Um Sonho", "Alice", "Lágrimas e Chuva" (talvez o momento de maior explosão do show), "Fixação" e "Te Amo Pra Sempre", essas duas últimas com participação do DJ Marcelinho da Lua. O trio deixa o palco, mas é claro que voltaria para fazer mais algumas canções. Enquanto isso, o público segue puxando diversas canções desses 30 anos. Os fãs mais fiéis cantam alguns "lado-B" enquanto o público que apenas curte puxa algumas canções mais conhecidas.
Paula, George e Bruno voltam ao palco para tocar "Como Eu Quero", em uma versão muito próxima da original. E claro, que não poderia faltar "Pintura Íntima" para encerrar os trabalhos, com direito à participação da bateria da Mangueira (nesse sábado a escola de samba completou 84 anos de existência). O presidente Ivo Meirelles comandou um grupo de 20 ritmistas que colocou o Citibank Hall para sambar. Até a loura vocalista mostrou alguma desenvoltura. Com direito à chuva de papéis picados no fim, toda a banda se reuniu para agradecer ao público, com direito a bolo personalizado no palco, onde Paula e George literalmente caíram de boca.
Terminado o roteiro previsto da noite, com boa parte da plateia já do lado de fora da casa, George Israel retorna de microfone em punho e convoca todos a voltarem para regravar "Eu Tive Um Sonho". Alguns mais apressadinhos perderam o bônus, que ainda contou com nova performance de "Pintura Íntima".
Talvez por se tratar de um registro, a banda parecia um pouco mecanizada em alguns momentos, deixando transparecer a falta de espontaneidade. Outra questão apontada pelos fãs foi a falta da canção "Glitter de Principiante", nome da turnê que está na estrada há um ano, o que gerou alguma estranheza para muitos. Tirando pequenos contratempos, sem dúvidas um show do Kid Abelha é uma boa diversão com amigos em um sábado à noite. Melhor ainda após a linda Paula convidar a esticar a noite com ela.
















